O Solar Antunes, sede do Poder Executivo Municipal, recebe visitação de alunos e sociedade participa também do roteiro histórico cultural do município de Ceará-Mirim, onde os professores e coordenação pedagógica das entidades educacionais, planejam momento, para que se discutam a historicidade de um determinado local turístico.
Um dos responsáveis por contribuir com a cultura local, é o historiador “Barão do Ceará-Mirim”, onde o mesmo relata histórias e estorias de um Ceará-Mirim no tempo da produção da cana-de-áçúcar.

SOLAR ANTUNES

Do alto, o imponente Solar Antunes, ou também conhecido como Palácio Antunes, agracia o vale do Rio Ceará-Mirim com seus traços arquitetônicos belíssimos que contam a história do próspero ciclo da cana-de-açúcar na cidade. A edificação foi construída pouco antes da Proclamação da República por um influente senhor de engenho da região e serviu como residência da família Antunes por quase um século. Neste período, o solar foi palco de importantes reuniões comerciais e políticas da época, assim como de bailes de carnaval e saraus que reuniam importantes personalidades potiguares, incluindo seus moradores que tiveram grande influência na cultura do RN. No final do século XX, passou a funcionar como a sede da Prefeitura local e atualmente a edificação é tombada pela Fundação José Augusto devido a sua importância histórica, cultural e arquitetônica para o Rio Grande do Norte. É por causa deste indescritível valor que o Solar Antunes é o tema de hoje da nossa Quinta Potiguar.
A localização privilegiada, próxima ao famoso Mercado Público no centro da cidade, além da vista belíssima do vale Rio Ceará-Mirim e arquitetura imponente, o Solar Antunes representa o grande período de ascensão econômica na região impulsionado pelo cultivo e comércio da cana-de-açúcar. A edificação foi construída em 1888 pelo Tenente-Coronel da Guarda Nacional José Antunes de Oliveira, senhor do Engenho Oiteiro e muito influente na região, com o objetivo de servir como residência urbana para sua família. A edificação foi palco de importantes reuniões de comerciantes e encontros políticos, principalmente durante a efervescência nacional que ocorria com o fim do Brasil império e início da república (Ferreira, 2013). Foi também nesta edificação onde cresceram os filhos do Tenente-Coronel, que posteriormente viriam a se tornar figuras importantes para a vida cultural potiguar, o Poeta Juvenal Antunes e a memorialista do vale Maria Magdalena Antunes Pereira, mais conhecida como a Sinhá-Moça. Desta forma, através do interesse na cultura pela segunda geração dos Antunes, a edificação posteriormente se tornou também palco de grandiosos bailes de carnaval e saraus que reuniam intelectuais e a aristocracia potiguar. O Solar pertenceu aos herdeiros da família Antunes até 1974, quando o político Ruy Antunes Pereira, neto da Sinhá-Moça Magdalena Antunes, assumiu a prefeitura da cidade e doou a edificação para o município e esta se tornou oficialmente a Sede da Prefeitura de Ceará-Mirim, função que perdura até os dias atuais. Em 15 de julho de 1988, a edificação foi tombada pela Fundação José Augusto devido a sua importância histórica e cultural, passando por grande intervenção de restauro na sequência. Atualmente, encontra-se em bom estado de conservação e continua agraciando a cidade de Ceará-Mirim com seus belíssimos traços arquitetônicos originais.
Quanto à arquitetura, o imponente Solar Antunes foi construído de acordo com o estilo Neoclássico. Este estilo arquitetônico faz parte do movimento eclético que caracteriza por ser um resgate de estilos do passado com o objetivo de criar uma nova linguagem, aqui no Quinta Potiguar nós já falamos sobre outras edificações do Rio Grande do Norte que compartilham este mesmo estilo arquitetônico, sendo elas o Centro de Turismo de Natal e o Palácio Potengi (Pinacoteca do Estado). Desta forma, podemos destacar na edificação a forma geométrica e retangular, a utilização de platibanda decorado para esconder a cobertura, o frontão triangular nas duas fachadas laterais também decorado, edificação elevada em relação a rua, janelas e portas retas com verga em arco pleno e bandeiras decoradas, a presença do vidro nas esquadrias (acredita-se que esta foi a primeira residência da região a apresentar vidros na fachada), decoração em massa acima da cornija que separa o segundo pavimento do térreo e entrada da edificação central adornada por colunas ornamentais encimadas por frontão curvilíneo que possui o nome Antunes ao centro. Uma particularidade deste Solar é a simetria em todas as fachadas originalmente, porém é possível notar que as fachadas laterais tiveram um acréscimo posterior que alterou esta característica de simetria nas duas fachadas. Para comprovar essa hipótese podemos observar a interrupção do platibanda e do frontão, além da diferença entre o telhado da parte acrescida e a original.
Em suma, o Solar Antunes é um belíssimo exemplar da arquitetura neoclássica do Rio Grande do Norte que se mantém preservado após mais de 130 anos de história. São edificações como esta que mantém viva a história, cultura e arquitetura do nosso estado e por isso devemos continuar a PRESERVAR E VALORIZAR O NOSSO PATRIMÔNIO!!
Fonte: https://www.juliachavesarq.com/post/solar-dos-antunes